Vulvovaginite é a inflamação da vulva (parte externa do órgão genital feminino) e da vagina e é considerada uma das afecções ginecológicas mais comuns. Estima-se que 70% das mulheres terá o problema pelo menos uma vez na vida.
A origem da enfermidade pode ser infecciosa (mais prevalente) e não infecciosa, esta última pelo contato com substâncias químicas ou produtos que provocam reações alérgicas. A queda dos hormônios durante a menopausa provoca redução da secreção vaginal e de sua elasticidade, provocando a vulvovaginite atrófica e aumentando o risco para infecções. As três principais causas de vulvovaginites são:
- Vaginose bacteriana: resultado da proliferação de algum dos vários organismos, principalmente a Gardnella Vaginallis, Peptoestreptococcus e Micoplasma hominis, que podem ou não estar presentes na cavidade vaginal;
- Infecções fúngicas: são geralmente causadas por um fungo que está presente naturalmente na vagina, denominado Candida albicans;
- Tricomoníase: doença causada por um parasita e geralmente transmitida por meio de relações sexuais.
Os sintomas mais que mais aparecem nos casos de vulvovaginite são os citados a seguir – nem todos estão presentes simultaneamente e variam de acordo com a causa da afecção:
- Inflamação da vulva;
- Vermelhidão;
- Odor fétido;
- Corrimento;
- Prurido vulvar (coceira intensa);
- Dor durante as relações sexuais.
Todas as vezes que a mulher apresentar mudanças na região genital com alguns dos sinais e sintomas citados acima ela deverá procurar seu ginecologista. A história clínica e um exame físico detalhado já são suficientes para elucidar a causa da vulvovaginite na maior parte dos casos. Vejam abaixo as características mais marcantes de cada um dos três agentes mais comuns:
- Vaginose bacteriana: corrimento de odor fétido branco acinzentado. O odor, muitas vezes descrito como cheiro de peixe, costuma aparecer após a relação sexual e término do período menstrual.
- Infecção por fungos: o principal sintoma é a coceira, o corrimento quando presente é branco e espesso, normalmente sem odor.
- Tricomoníase: pode causar um corrimento amarelo, espumoso, por vezes esverdeado.

Nas situações em que ainda restar dúvida, uma avaliação microscópica da secreção vaginal ou até mesmo uma biópsia da região acometida poderão ajudar no diagnóstico. Quando há suspeita de que exista infecção por alguma Doença sexualmente transmissível (DST) é importante que o parceiro também seja avaliado por um urologista, mesmo que não apresente sintomas.

O tratamento obviamente varia de acordo com o agente identificado como causador da vulvovaginite. Exatamente por isso é fundamental que, antes de tentar utilizar qualquer tipo de medicação por conta própria, a paciente passe por avaliação médica. Os tipos de medicações mais usados são os seguintes:
- Antibióticos orais ou tópicos para as vaginoses bacterianas;
- Antifúngicos que também podem ser orais ou tópicos para candidíases;
- Anti-histamínico nos casos de irritação por contato com substâncias alergênicas;
- Creme de estrogênios nas situações em que há mudança na produção hormonal com atrofia genital
Alguns cuidados podem ser tomados e ajudarão a prevenir o surgimento das vulvovaginites:
- Estar bem de saúde, manter uma alimentação adequada e controlar doenças crônicas como o diabetes são ações que ajudam o organismo a combater e evitar infecções;
- Evite o uso desnecessário de antibióticos, eles mudam a flora vaginal a favorecem a proliferação de microrganismos causadores das vulvovaginites;
- Tenha bons hábitos de higiene íntima;
- Evite roupas apertadas e sintéticas, além de dar preferência a roupas íntimas de algodão. Isso ajuda a manter a região genital arejada, evitando a proliferação de bactérias e fungos;
- Não faça duchas íntimas nem use desodorantes, pós, ou perfumes na área genital. Além alterar o Ph vaginal ainda podem causar reações alérgicas;
- Use sempre preservativos.