Quando devo transferir os embriões para o útero?

Consultas, exames, ultrassons, medicações, coleta de óvulos e finalmente a transferência dos embriões, mas, e agora, quando transferir? O especialista em reprodução humana, Dr. Fabio Padilla, responderá as principais dúvidas referente a transferência de embriões.

Qual a diferença entre embrião de 3º dia para embrião de 5º dia de desenvolvimento?

O embrião é formado da união do espermatozoide com o óvulo. Nos tratamentos de baixa complexidade, como inseminação intra uterina e coito programado, o embrião é formado dentro do corpo da mulher- na trompa, para ser mais específico.

Em tratamentos de alta complexidade como FIV e ICSI, o embrião é formado no laboratório para depois ser colocado no endométrio, parte de dentro do útero. O embrião normalmente é colocado no interior do útero no terceiro ou no quinto dia de vida.

Um embrião de 3 dias de vida costuma receber uma nota conforme a avaliação de duas características dele: o número de células e o grau de fragmentação, que tem a aparência de uma sujeirinha dentro do embrião, mas que nós ainda não sabemos exatamente o que é. Normalmente um embrião de 3 dias de vida tem entre 6 a 8 células e quanto menor o grau de fragmentação, maior a tendência deste embrião ter mais qualidade para implantar.

O embrião de 5 dias, conhecido como blastocisto, é mais desenvolvido que um embrião de 3 dias- ele tem quase o dobro do tempo de vida em uma fase de desenvolvimento bastante acelerado. Comparar a diferença de tempo de vida desses embriões é como comparar a diferença de desenvolvimento de uma criança de 3 com uma criança de 5 anos. O blastocisto já tem em torno de 150 células e essas células já começaram a se organizar (ter características, formatos e funções mais específicas). É, portanto, um embrião mais desenvolvido que o de 3 dias de vida.

Qual dos dois tem um maior potencial de gravidez

Por ser mais desenvolvido, o Blastocisto sempre tem um potencial maior de gravidez. Mas isso é um ponto que precisa ser bem esclarecido:

Quando fazemos um tratamento para engravidar e temos embriões com três dias de vida no laboratório, mas queremos deixá-los evoluir até blastocisto, é importante entender que aproximadamente 50% desses embriões não conseguirão chegar nesse estágio de evolução, e terão seu desenvolvimento interrompido, portanto, não poderão ser usados.

Ou seja, colocar blastocistos dentro do útero tem sim uma chance maior de engravidar do que colocando embriões com 3 dias de vida, mas é importante entender que aproximadamente a metade dos embriões de 3 dias não consegue se desenvolver para virar blastocisto, portanto, principalmente em casos onde o casal não consegue formar muitos embriões, corre-se o risco de não ter embriões para serem colocados dentro do útero caso opte-se por coloca-los com 5 dias de vida.

A grande questão nessa avaliação é, na verdade- o embrião que não vira blastocisto no laboratório, viraria se tivesse sido colocado dentro do útero? Cientificamente falando, não temos essa resposta. Mas cada vez mais acreditamos que não- se ele não virou blastocisto no laboratório não viraria dentro do útero, o que tem feito com que cada vez mais os médicos optem por transferir embriões para o interior do útero no estágio de blastocisto (5 dias de vida), mantendo assim a expectativa do casal e principalmente o uso de tanta medicação pelo mulher apenas em casos onde a possibilidade de gravidez é maior.

Tenho embriões congelados (criopreservados) em 3º dia. É possível descongelá-los e levá-los para 5º dia? Como é feito o preparo do útero nesse caso?

Sim. É possível descongelar embriões com 3 dias de vida e deixá-los desenvolver até 5 dias de vida no laboratório para depois colocá-los dentro do útero no estágio de blastocisto.

Neste caso, em que falamos de embriões que serão descongelados, o tratamento consiste em preparar o útero para receber esses embriões.

O preparo do útero naturalmente é feito através de hormônios que os óvulos e os ovários fabricam durante o desenvolvimento dos óvulos. No preparo usamos esses mesmos hormônios, mas através de medicação, para ter melhor controle do ciclo.

O tratamento começa quando começa o ciclo menstrual, sendo que a partir do segundo ou terceiro dia do ciclo iniciamos o uso de estrogênio para estimular o desenvolvimento do endométrio.

Quando o endométrio está bem desenvolvido e o médico nota isso através de exames de ultrassonografia (geralmente leva uns 12 dias com o hormônio pra chegar no ponto que desejamos), associa-se ao estrogênio outro hormônio: a progesterona, que naturalmente seria liberada após a ovulação, e a partir daí precisamos sincronizar o endométrio ao tempo de vida do embrião- se o embrião tem 3 dias de vida, 3 dias após o início da progesterona colocamos ele na cavidade do endométrio (dentro do útero).

Se os embriões estiverem congelados com 5 dias de vida, então colocamos eles no interior da cavidade endometrial 5 dias após o início da progesterona.

No caso apresentado pela pergunta, a mulher prepararia o útero com o estrogênio, iniciaria a progesterona e, quando estivesse usando a progesterona por 3 dias teria os embriões descongelados. A mulher usaria mais 2 dias de medicação, tempo que os embriões seguiriam desenvolvendo no laboratório, para serem transferidos com 5 dias de vida.

Obviamente que nesse processo os embriões também podem não conseguir desenvolver até o quinto dia, deixando eventualmente o casal sem embriões para a transferência.

Caso a pessoa queira descongelar embriões no terceiro dia para recongelar no quinto dia, também pode ser feito, mas não recomendamos pois é preferível diminuir o número de procedimentos no embrião, além do que encareceria o tratamento, com 2 congelamentos e dois descongelamentos ao invés de somente um.

Existe diferença no preparo para transferir em 3º ou 5º dia?

A única diferença, como dissemos anteriormente, é o número de dias que a mulher usará de progesterona: quando o embrião tem 3 dias de vida, usará 3 dias de progesterona. Para blastocistos a mulher deve usar 5 dias de progesterona.

Em caso de transferir embriões descongelados, em relação a fase em que usa o estrogênio, não há nenhuma diferença para transferir embriões com 3 ou 5 dias de vida.

Em casos onde a mulher está fazendo o tratamento de FIV com embriões frescos, ou seja, sem congelamento, não há nenhuma diferença na estimulação ovariana quando se pensa em transferir no terceiro ou quinto dia de vida dos embriões.

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