A menopausa é o período de vida da mulher após o fim das reservas do seu ovário.
Após seu nascimento, os ovários das mulheres tornam-se depósitos de óvulos que serão usados no decorrer de sua vida a partir da adolescência. Como o ovário não consegue fabricar óvulos, apenas os armazenar, um dia o depósito se esvazia e a mulher deixa de ter óvulos e de menstruar: é a menopausa.
Do ponto de vista clínico, o diagnóstico de menopausa é feito em qualquer mulher acima dos 40 anos que passar um ano sem menstruar. Exames de sangue não são necessários para o diagnóstico, exceto em casos em que a menopausa acontece antes dos 40 anos, neste caso considerada patológica e chamada de “menopausa precoce”.
Diversos sintomas podem aparecer numa mulher menopausada ou no climatério (período antes da mulher entrar efetivamente na menopausa, onde os ciclos ficam com padrão mais irregular, as vezes com alteração de fluxo). O mais comum é não sentir nenhum sintoma, principalmente em mulheres que tem hábitos saudáveis através de dieta, exercício físico e qualidade de vida. Porém sintomas como ondas de calor e alterações de humor podem aparecer.
A importância do acompanhamento médico durante a menopausa
Durante a menopausa a mulher deve manter suas consultas de rotina com seu ginecologista, que solicitará mais exames de rotina, além do papanicolau e do ultrassom transvaginal. Mamografia, densitometria óssea (para detecção de eventual fraqueza nos ossos – mais comum com a falta de hormônios) e exames gerais, como hormônios de tireoide, glicemia e colesterol também devem ser solicitados.
Abaixo listamos algumas das angustias que as mulheres costumam ter em relação a menopausa e procuramos desmitificá-los. Lembre-se, assim como você se acostumou com seu ovário produzindo os hormônios no início da sua puberdade, e isso não foi automático, você vai se acostumar com essa nova mudança hormonal, mas isso pode levar alguns meses.
Conheça os 10 principais mitos da menopausa
A menopausa é um período onde muitas mulheres passam por diferentes sintomas e, em alguns casos, nem sequer associam esta fase da vida com a interrupção da produção ovular. Por este motivo, existem alguns fatos que precisam ser desmistificados para evitar a preocupação e incentivar o acompanhamento ginecológico, como:
1 – Vou ganhar muito peso. Mito ou verdade?
É natural para todos nós ter certo ganho de peso com o aumento da idade, mas não podemos nunca associar a menopausa à obesidade. A alteração hormonal pode até favorecer o ganho de peso, mas o que determinará isso efetivamente é seu estilo de vida.
Atividade física como musculação, treino cardiovascular, yoga… todos são ótimas opções para controle de peso. Seguir uma dieta adequada, com pouca gordura, rica em proteína, vegetais verdes, frutas e evitando açucar também é importante não só para manter o peso mas para ingestão adequada de nutrientes. O que determina seu peso é seu estilo de vida, não os hormônios do seu ovário.
2 – Minha vida sexual vai mudar
A única mudança efetiva que você terá em sua vida sexual é que você não precisará mais se preocupar com gravidez. As mulheres na menopausa não engravidam através de métodos naturais. Existem tratamentos específicos que possibilitam gravidez, mas não através de relação sexual.
A vida sexual da mulher menopausada não precisa mudar em nada, até porque sabemos que nosso principal órgão sexual é o cérebro, e ele continuará funcionando normalmente. Os hormônios ovarianos que ainda são produzidos na mulher menopausada, apesar de muito mais fracos do ponto de vista de efeito químico, são capazes de manter a libido. Atividade física e dieta saudável também são importantes na menopausa, assim como em qualquer idade, na manutenção da libido. Não descuide disso nunca!
3 – Sentirei muito calor. Mito ou verdade?
As conhecidas ondas de calor da menopausa estão entre os sintomas mais frequentes, manifestando-se geralmente a noite, inclusive com bastante sudorese. Como todos outros sintomas, ele é limitado e a tendência é que vá melhorando gradativamente conforme seu corpo adapta-se a nova produção hormonal. Exercícios físicos e dieta, principalmente removendo cafeína, alimentos apimentados e álcool são fundamentais na melhora deste sintoma.
4 – Eu ficarei velha
O fato de estar na menopausa não significa estar velha em hipótese nenhuma, até mesmo porque a menopausa pode acontecer com mulheres abaixo dos 40 anos, como dissemos anteriormente.
A menopausa é simplesmente a falência de um órgão (os ovários) que têm prazo de validade diferente para diferentes mulheres. A mulher pode atingir a menopausa aos 40 ou aos 56. Não é o fato de parar de menstruar que transforma alguém automaticamente em idoso.
5 – Terei osteoporose
Com o processo de envelhecimento, nossos ossos vão progressivamente perdendo densidade. É um processo natural que depende da idade independente de outro fator.
Porém neste caso, a diminuição hormonal, de principalmente estrogênio, é um fator que leva a aceleração de perda da massa óssea.
A realização de atividade física de impacto, ou seja, exercícios principalmente fora de piscina, como caminhada, corrida, faz com que os ossos sofram fissuras microscópicas que, com o consumo adequado de nutrientes, principalmente cálcio e magnésio, e sob ação da vitamina D (fabricada pela exposição da pele ao sol), vão “cicatrizar” mais fortes, aumentado a massa óssea. Portanto, como tudo que se refere a menopausa, a osteoporose pode ser evitada através de qualidade de vida- exercícios físicos e dieta adequados.
6 – Meu risco de ter câncer de mama aumenta
O principal fator de risco para o câncer de mama é a idade da mulher. Mulheres entre 59-65 anos são as com maiores risco de desenvolver a doença, que deve ter seu diagnóstico feito precocemente através da realização da mamografia e do exame físico do médico anualmente a partir dos 40 anos da mulher
O segundo principal fator de risco para o câncer de mama é a hereditariedade, ou seja, parentes de primeiro grau com histórico da doença. A menopausa nada tem a ver com isso.
7 – Vou ficar com falhas no cabelo
Apesar das alterações hormonais favorecerem sintomas como a queda de cabelo, esta mudança no colágeno não é tão brusca a ponto de causar falhas no couro cabeludo. Para diminuir este incômodo, o uso de shampoos que fortalecem os fios, além de complexos vitamínicos auxiliam na diminuição deste processo.
8 – Eu ficarei louca
Não ficará. Lembre-se do que já dissemos antes, as alterações hormonais podem sim influenciar no seu humor, mas isso é passageiro, pois assim como aconteceu no começo dos ciclos, seu corpo vai se acostumar com esse novo perfil hormonal. No início sentir-se um pouco mais triste ou mais impaciente é normal e vai passar. Converse com as pessoas que você conhece e peça que entendam e tenham um pouco mais de paciência com você. Tudo voltará ao normal.
9 – Vou ficar deprimida. Mito ou verdade?
Algumas mulheres podem até apresentar alguns sintomas relacionados a alteração de humor, tristeza temporária (semelhante a depressão), principalmente no início da queda dos hormônios ovarianos (estrogênio principalmente). Mas não é comum a mulher menopausada ser depressiva. Mais comum até é sentir-se melhor por não estar mais exposta a montanha-russa hormonal a que era submetida a cada mês. Às vezes pode levar um tempo, alguns meses, mas com a adaptação do corpo a nova situação hormonal a tendência é sentir-se ótima. Caso esse sintoma persista por mais de 6 meses não deixe de avisar seu médico.
10 – Reposição hormonal é perigoso
Não é verdade. O tratamento dos sintomas da menopausa estão indicados para as mulheres que mais sentirem incômodos. Ele pode ser feito através do uso de fitoterápicos, medicamentos a base de plantas que imitam os hormônios que os ovários fabricavam, ou através de reposição hormonal, geralmente usada em casos com sintomas mais importantes e que não responda a tratamentos mais simples.
O uso de hormônios deve sempre ser acompanhado de perto pelo médico em consultas e realização de exames mais frequentemente, mas com o acompanhamento adequado não deve haver qualquer problema.