Cuidados no pós-parto

Durante a fase pós-parto, o corpo da mulher passa por muitas transformações e precisa de cuidados especiais.

Popularmente, o período de recuperação é conhecido como resguardo ou quarentena. Os médicos o chamam de puerpério. Esta fase é cercada de curiosidades, mitos e dúvidas.

O que é puerpério?

O puerpério é o período pós-parto, que começa após a dequitação (retirada da placenta) e dura cerca de 6 a 8 semanas. É a fase em que a mulher está se recuperando do parto e enfrenta diversas mudanças para readaptar seu corpo após a saída do bebê.

Algumas dessas mudanças incluem alteração hormonal, quantidade de sangue na circulação e volta do útero ao tamanho normal, após ter seu tamanho aumentado em aproximadamente 50 vezes durante a gestação.

Esse período pode ser maior de acordo com alguma condição clínica da mãe?

Não. Este período de até 8 semanas é usado para definir o puerpério de todas as mulheres. Se houver alguma complicação decorrente do parto, o médico pode solicitar cuidados especiais e acompanhamento por um período maior, mas isso é raro.

Existe algum desconforto que a mulher pode sentir nesse período?

Em geral, não há muito incômodo. Um sintoma comum são as cólicas, que ocorrem principalmente até o 4º dia pós parto devido a contrações uterinas. Claro que, dependendo do parto escolhido, isso pode variar um pouco. No parto normal, por exemplo, a recuperação é mais rápida e com menor incômodo, pois só há o processo de cicatrização de cortes caso tenha feito a episiotomia (corte na região perineal que facilita a saída do bebê). O uso de compressa fria no local nas primeiras 24h podem ajudar na recuperação

No caso da cesariana, que é uma cirurgia, a recuperação pode ser um pouco mais lenta por causa do corte, e pode haver mais dor ou desconforto. Porém também não deve durar muito tempo, melhorando em até 5 dias após o parto.

Em casos de mulheres que sentem dores, existe medicação que pode ser prescrita, ou elas não podem se submeter a analgésicos por conta da amamentação?

Existem diversos medicamentos que não poderiam ser usados durante a gravidez, mas no período do puerpério muitas dessas medicações já estão liberadas.

Alguns medicamentos devem continuar sendo evitados por conta da amamentação, porém há vários medicamentos que podem, e devem, ser usados para tratar a dor.

O uso de cintas elásticas está liberado, porém evitando as de compressão excessiva. Elas costumam passar uma sensação maior de segurança, apesar de não terem influência diminuindo o tempo de recuperação. Caso as dores persistam de forte intensidade, seu médico deve ser avisado.

Durante esta fase de recuperação, quais atividades devem ser evitadas?

Essa resposta também pode ser diferente de acordo com o tipo de parto. Se a mãe fez uma cesariana, haverá algumas limitações iniciais por conta da intervenção cirúrgica, e atividades que requerem maior esforço devem ser postergadas.

Para mulheres que tiveram um parto normal, não há muitas restrições. Às que querem voltar a fazer atividades físicas, é sempre recomendado que se inicie devagar até que puerpério seja finalizado.

As atividades corriqueiras, geralmente, são retomadas rapidamente e sem nenhum problema.

Este período pode envolver alterações psicológicas?

A observação do estado emocional da paciente nesse período é muito importante. Existe o fator emocional e saudável que ocorre pela chegada do filho. Isso pode mudar o humor e o comportamento da mulher. Tudo isso é normal e esperado.

Porém, 40 a 80% das mulheres podem desenvolver o blues puerperal, um tipo de depressão, mas que se manifesta de forma mais leve e transitória. A mãe apresenta irritabilidade, choro fácil, tristeza, diminuição da concentração. Esse estado costuma desaparecer em até duas semanas, não necessitando do uso de medicações.

Já a depressão pós parto é uma complicação psicológica muito preocupante. Acomete principalmente aquelas mulheres que já tiveram episódios depressivos antes da gravidez. Elas apresentam ansiedade extrema, alterações de sono, apetite e libido, além de raivas e sentimento de culpa e incapacidade de cuidar do bebê. Para esses casos, um auxílio psicológico é de extrema importância e tratamento medicamentoso pode ser necessário.

Qual alimentação é indicada para a mãe durante o puerpério?

Não há uma lista de alimentos específica que deve ser seguida à risca. A mulher está liberada para comer o que quiser, mas precisa tomar os cuidados de sempre e se alimentar de maneira contida e saudável. Frutas, verduras e vegetais devem estar presentes para balancear a alimentação.

Sempre recomendamos também a redução do consumo de gordura. A regra para as mães é a mesma que vale para qualquer pessoa: alimentação saudável e balanceada, sem exageros.

Mulheres que tiveram um parto complicado, com algum tipo de trauma, podem ter problema de incontinência urinária?

Essas queixas de incontinência urinária normalmente não acontecem imediatamente ao parto. Esses casos demoram um pouco para ocorrer e são vistos com maior frequência em partos normais. Isso acontece devido a lesão de fibra muscular sofrida na região pélvica.

A queixa mais comum no pós parto imediato é a de retenção urinária. Isso ocorre como efeito da raquianestesia, que tira o controle da micção, ou por medo de dor. Mas na maior parte das vezes medidas simples como uso de analgésicos, banho quente e molhar as mãos em água gelada resolvem o problema.

Quando as relações sexuais podem ser retomadas?

Durante este período de 6 a 8 semanas, a prática sexual não é recomendada. O corpo ainda está se recompondo neste período e é preciso esperar. 57% das mulheres no puerpério relatam inclusive perda de libido, por conta de dor, fadiga e sangramento genital.

A volta da menstruação é esperada para depois desse período, e é importante saber que pode haver ovulação antes mesmo dessa menstruação e mesmo quando a mulher está amamentando.

Quando a mulher for voltar a ter relações sexuais, é essencial usar algum tipo de proteção, ou conversar com o médico para que seja indicado algum método contraceptivo.

Há muitos casos de mulheres que engravidaram logo depois do período do puerpério. Existe um mito que diz não ser possível engravidar durante a lactação, e isso é mentira. O fato de amamentar não exclui a possibilidade do ciclo reprodutivo.

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