Gravidez com óvulos doados

As mudanças que a sociedade viveu nas últimas décadas, com a presença mais marcante da mulher em todas atividades do mercado de trabalho, fez com que as mulheres adiassem cada vez mais o desejo de ter filhos e formar sua família.

É muito comum hoje em dia que a mulher procure estar bem posicionada profissionalmente antes de pensar em ser gestante.

Uma das consequências disso é o aumento do número de casais que precisarão de acompanhamento médico para engravidar, uma vez que a idade da mulher é o fator mais importante para avaliar a fertilidade de um casal. Quando esse desejo é adiado por muito tempo, pode ser necessário o uso de óvulos de outra pessoa no tratamento, uma doadora, para possibilitar a gravidez.

O tratamento com óvulo de doadora é cada vez mais comum, mas ainda existem muitas dúvidas nos casais que têm indicação para esse procedimento. Nesse texto procuramos esclarecer e desmistificar esse tipo de tratamento.

O que é?

O tratamento com óvulos doados e a doação de óvulos são procedimentos da área médica de reprodução assistida que estão totalmente regulamentados no Brasil.

O procedimento depende de 3 pessoas basicamente: uma doadora, que fornecerá os óvulos após estimulação do seu ovário, e um casal que deseja ter filhos, do qual conseguiremos os espermatózoides para formar os embriões e o útero da futura mãe.

Quem geralmente precisa recorrer a este tratamento?

A maior parte dos casais que precisa desta técnica de tratamento é devido à idade da mulher. Um fato que muitas pessoas desconhecem é que as mulheres já nascem com um “estoque” de óvulos determinados que serão usados durante toda sua vida fértil. Não há produção de novos óvulos ao longo da vida.

Quando se aproximam da menopausa, as mulheres têm uma diminuição importante não só em quantidade, mas principalmente na qualidade desses óvulos do ponto de vista reprodutivo. Isso dificulta uma gestação espontânea e até mesmo em um tratamento complexo como a fertilização in vitro, indicando em alguns casos o tratamento com óvulo de doadora.

Gráfico mostra como a chance de engravidar naturalmente diminui e como a chance de ter diagnóstico de infertilidade aumenta com o aumento da idade da mulher

Outras mulheres que acabam tendo indicação para realizar esse tipo de tratamento são as que apresentam quadro de menopausa precoce (quando acontece antes dos 40 anos) seja qual for o motivo, ou as que apresentem alguma alteração genética e optem por esse tipo de tratamento (existe opção de pesquisa genética de embrião para um grande número de doenças, porisso essa indicação é cada vez mais restrita).

Quem pode doar?

As doadoras são sempre mulheres maiores de idade, com menos de 35 anos, sem diagnóstico de doenças genéticas conhecidas nela nem em sua família, e sem problemas que dificultem a estimulação do ovário (que será necessária para o recolhimento dos óvulos).

Uma vez que o Brasil não possui um banco de óvulos, banco de doadoras ou qualquer tipo de campanha que dê conhecimento a população a respeito deste procedimento, em geral as doadoras também estão fazendo algum tipo de tratamento para engravidar, na maioria das vezes por conta de problemas de fertilidade com o marido. É desta forma que muitas delas chegam a clínicas especializadas em reprodução humana, onde é proposta a doação para as que atendem o perfil necessário e, com autorização expressa e por escrito, sendo essa vontade da paciente, procede-se a doação de seus óvulos.

A doação de óvulos não pode ser remunerada legalmente. A lei atual ficou um pouco mais flexível e permite que a doadora tenha parte de seu custo em medicação pago pela receptora. Apenas isso.

É possível escolher a doadora?

Não. A lei brasileira que trata deste assunto estabelece que nenhum tipo de contato pode ser feito entre a doadora e a candidata a mãe. Elas não podem se conhecer e não podem ter qualquer meio de possibilidade de identificação uma com a outra. Tudo é feito de maneira absolutamente anônima pelo médico responsável pelo tratamento.

Muitas pessoas geralmente questionam sobre esta questão, especialmente quando tem voluntários a doar dentro da família. Isso não é permitido. A doação é sempre anônima, tanto para doadoras, como para receptoras de óvulos.

Como saber se o óvulo recebido é saudável e compatível com o perfil da futura mãe?

A doadora deve sempre ser selecionada com bastante cuidado pelo médico.

As mulheres que se tornam doadoras passam por diversos procedimentos até serem liberadas para doar. Questionários para avaliação psicológica, do estilo de vida, comportamento e histórico familiar e pessoal de doenças, além de exames para atestar a saúde da doadora são sempre realizados.

A aparência física da doadora também é importante nesse processo. Como o óvulo carrega o perfil genético de quem o doa, detalhes como peso, altura, cor da pele e tipo de cabelo são avaliados para que a relação física entre o bebê e a futura mãe seja a mais próxima possível.

É importante entender que o tratamento com óvulo de doadora, assim como qualquer outro tratamento, não pode garantir que a gestação e o bebê serão saudáveis com 100% de certeza. Ele não aumenta nenhum risco, fornece uma gestação normal, como a espôntanea em casa, com todos os possíveis problemas e vantagens que estar grávida trazem a qualquer mulher.

Como é feita a fertilização dos óvulos doados?

A doadora deverá usar medicação que estimula o ovário a desenvolver os óvulos. Após esta etapa, que dura aproximadamente 12 dias é feita a coleta dos óvulos da doadora que são fertilizados no laboratório pelos espermatozoides do marido da receptora. Tanto os óvulos quanto os espermatozoides são analisados em laboratório, a fim de que sejam selecionados apenas os que apresentam maiores chances de fertilização e consequente gravidez.

Paralelamente à estimulação dos óvulos, a receptora deverá fazer o preparo do útero para receber os embriões. Esse preparo é bastante simples e pode ser feito usando somente medicação oral e via vaginal. ele dura aproximadamente 15 dias, tempo de estimulação da doadora mais o tempo de desenvolvimento dos embriões no laboratório (3 ou 5 dias)

Os embriões fecundados são inseridos no útero da receptora em um procedimento que para a paciente é bastante semelhante a coleta de papanicolau. Se quer precisa de sedação.

Quando é possível confirmar a gravidez?

O primeiro exame de gravidez costuma ser feito de 9 a 12 dias após colocar os embriões dentto do útero, aproximadamente 30 dias após o início do tratamento (início do preparo do útero da receptora).

Qual a chance de dar certo?

O tratamento com óvulos doados tem grande chance de sucesso. Dentre todas as técnicas, é a que resulta em maior chance de gravidez, chegando perto de 60% de sucesso.

O sucesso dessa técnica não depende da idade da receptora, diferente da FIV com óvulos próprios, onde este é o fator principal a ser avaliado, conforme mostra o gráfico abaixo.

A chance da mulher engravidar com seus próprios óvulos tem relação direta com a idade da mulher, porém com óvulos de doadora essa chance mantem-se mais ou menos constante mesmo com o avanço da idade da mulher.

E se não der certo? O processo pode ser repetido?

Sim. Nos casos em que a gravidez não é confirmada depois da primeira tentativa, o casal pode repetir o procedimento, que pode ser feito com os óvulos da mesma doadora, caso o casal tenha congelado embriões excedentes, ou pode ser necessário procurar uma nova doadora, caso não haja mais embriões. As chances de sucesso são sempre as mesmas, independente de ser primeira ou segunda tentativa.

Mesmo em situações onde a gravidez é confirmada, os embriões excedentes podem permanecem guardados, para casos em que a receptora queira ter outro filho no futuro. A receptora pode optar por realizar o procedimento a qualquer momento, até que complete os 50 anos de idade, pela legislação vigente.

Há chances aumentadas de gêmeos na gravidez?

Sim. Como na técnica de fertilização in vitro comum, as chances da mulher ter mais de um filho na mesma gestação é aumentada.

Isso impacta na quantidade de embriões que serão colocados no útero da paciente. Para decidir o número de embriões necessários, o médico avalia fatores como idade e condições clínicas da paciente. Não é recomendado colocar mais de 2 embriões dentro do útero, até porque os óvulos da doadora são provenientes de uma mulher jovem, e portanto as chances de gravidez já são altas com esses dois embriões

Onde realizar este tipo de tratamento?

Para os casais interessados, o tratamento pode ser encontrado em consultórios de especialistas e em clínicas especializadas em reprodução humana.

Tome cuidado especial na escolha do médico. Verifique se ele cumpre com todos procedimentos éticos, se é disponível, e se atende bem a todas dúvidas do casal. O relacionamento médico-paciente é fundamental neste tipo de procedimento!

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