A Obesidade está associada a uma série de problemas de saúde, como pressão alta, diabetes, cardiopatias, dislipidemias (aumento de gordura no sangue), problemas respiratórios, problemas no sono, de ossos e articulações, digestivos… Enfim, a obesidade está associada a aumento do risco de um grande número de doenças e complicações de saúde.
Na prática, a obesidade é medida levando em conta algumas medidas corpóreas além do já muito conhecido IMC- Índice de Massa Corporal, calculado conforme a fórmula abaixo:
IMC = Peso
(Altura X Altura)
Sendo o diagnóstico feito conforme a tabela:
| CATEGORIA | IMC |
|---|---|
| Abaixo do peso | Abaixo de 18,5 |
| Peso normal* | 18,5 – 24,9 |
| Sobrepreso | 25,0 – 29,9 |
| Obesidade Grau I | 30,0 – 34,9 |
| Obesidade Grau II | 35,0 – 39,9 |
| Obesidade Grau III | 40,0 e acima |
* Peso Saudável equivale ao peso Normal.
Segundo o IBGE perto de 50% da população brasileira está acima do peso, aproximadamente 15% é obesa. Atualmente muitos estudos têm sido feitos para avaliar o impacto do aumento de peso sobre a fertilidade, e os resultados mostram que se você quer engravidar, é hora de perder peso.
MULHER
As células de gordura, conhecidas como adipócitos, têm capacidade de produzir hormônios, levando a um aumento na produção de hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos (daí o aumento de pelos, oleosidade em pele e cabelos, acne…), causando um desequilíbrio na secreção hormonal normal na mulher obesa. Isso trará consequências em todo o organismo, inclusive no sistema reprodutivo. O ciclo menstrual irregular, mais comum em mulheres com sobrepeso e obesas, é resultado da falta de ovulação, resultado do descontrole hormonal causado pela gordura em excesso.
Estudos mostram que o aumento no IMC aumenta os riscos de infertilidade em mulheres, mesmo que o IMC não atinja valor para diagnóstico de obesidade. Na verdade, já há evidência que mulheres com sobrepeso “apenas” já têm maior probabilidade de sofrer aborto espontâneo, e que a partir de IMC 29, a cada aumento de 1kg/m2, a mulher tem 5% menos chances de engravidar!
A irregularidade menstrual, tão comum nas mulheres acima do peso, não é o único fator que aumenta o risco de infertilidade. Na verdade, muitos estudos mostram que a probabilidade de a mulher obesa engravidar naturalmente é mais baixa mesmo quando ela menstrua regularmente. Isso acontece porque o próprio óvulo da mulher obesa acaba tendo menor qualidade e, consequentemente, produzindo embriões piores. Além disso o endométrio (parte do útero onde o embrião se fixa) da mulher obesa, devido a produção errada de hormônios, costuma também ser menos receptivo aos embriões. Atualmente acreditamos que as chances de uma mulher obesa engravidar naturalmente são 50% menores do que a de uma mulher com o peso normal. A obesidade vai diminuir as chances de sucesso até mesmo em tratamentos de fertilização in vitro.
HOMEM
O excesso de peso no homem também leva a um desequilíbrio hormonal, que reduz os níveis de testosterona e aumenta os níveis de estradiol (daí muitas vezes o desenvolvimento das mamas), comprometendo a produção de espermatozoides e aumentando os índices de fragmentação do DNA dos espermatozoides, o que leva a falha de fertilização mesmo em fertilização in vitro.
Estudos têm mostrado cada vez mais relação entre o peso do homem e alteração de espermograma (quantidade, movimentação e formato dos espermatozoides), o que significa que os espermatozoides nos obesos são mais lentos e tem menor capacidade de penetrar e fecundar um óvulo.
Mesmo quando comparamos dois homens com espermogramas normais, um com peso normal e outro obeso, o com peso normal tem chance maior de engravidar.
TRATAMENTO
Nunca é fácil tratar qualquer condição que envolva mudança no estilo de vida. Somos acostumados a nossa rotina e colocar exercício físico ou mudar hábitos alimentares é sempre bastante difícil.
Toda pessoa, independente do peso, deve ser estimulada a fazer atividade física regular e fazer uma dieta saudável com frutas, verduras e pouca gordura. A mudança no estilo de vida é fundamental e um professor de educação física, um nutricionista, uma equipe médica adequada com endocrinologista e ortopedista, podem ajudar muito nessa conquista.
Perder peso fará o homem produzir mais e melhores espermatozóides. Perder peso ajudará a mulher a voltar a ovular e aumentará as chances de gravidez. Mas ainda assim, se emagrecer não for o bastante para fazer o casal engravidar, realizar um tratamento como uma fertilização in vitro no peso ideal ou pelo menos mais próximo dele é, sem dúvidas, uma das poucas maneiras como o casal consegue influenciar positivamente aumentando as taxas de sucesso da FIV. Portanto, quer engravidar? Mesmo que tenha indicação de tratamento, perca peso!